ADOÇÃO PET, POR QUE NÃO?



Dados recentes da Organização Mundial da Saúde apontam que, no Brasil, existem cerca de 30 milhões de animais abandonados, considerando cães e gatos.


Os CCZ (Centro de Controle de Zoonoses – unidades municipais que mantém animais para adoção) não dão conta de recolher os animais abandonados e direcioná-los para adoção, e por isso as ONGs (organizações não governamentais) tem papel crucial no acolhimento destes animais e na educação da população no que tange à posse responsável.


Porém, a quantidade de animais pelas ruas excede os recursos destes abrigos, que estão quase sempre lotados. E sabe quem pode contribuir para atenuar este cenário? Você!


Já pensou em adotar um pet velhinho?


Toda ONG de proteção animal ou CCZ tem animais velhinhos que estão lá há vários anos ou foram abandonados justamente por terem envelhecido. Eles são menos procurados para adoção e o mesmo acontece com animais que apresentam alguma deficiência ou não são de raça.


Não importa a idade do pet, ao adotar você ajuda dois animais: um ganha uma família e um lar indo para a sua casa; e um outro, pode ser acolhido no abrigo quando uma vaga é liberada. Ou seja, ao adotar você permite “o giro” do espaço.


Mas não se apresse! A decisão de adotar um animalzinho deve ser bem pensada, pois é um compromisso que deverá ser mantido por aproximadamente 15 anos, tempo médio de vida de um pet. Uma adoção por impulso pode resultar em abandono, o que gera traumas para um cão ou gato, que podem requerer atendimento especializado de veterinário ou adestrador a fim de reverter o quadro.


Conheça 6 fatores que devem ser considerados antes de buscar seu amigo na feirinha de adoção:


1. Tempo

Você tem disponibilidade para brincar, passear, ou seja, dar atenção para um animal? Não importa a espécie escolhida, eles sempre precisarão da sua interação.


2. Recursos financeiros

Além dos custos com alimentação, é importante colocar na ponta do lápis as consultas veterinárias, medicamentos, banho e tosa, vacinações anuais. Importante ressaltar que os custos podem aumentar à medida que o pet envelhece, caso ele desenvolva alguma doença crônica. Também é prudente ter uma reserva para emergências, como cirurgias e internações.


3. Ambiente

Cada espécie de pet necessitará de adequações particulares, por exemplo, se você vive em apartamento e pretende adotar um gato, deverá colocar telas em todas as janelas e sacadas antes de trazer o bichano para casa. De forma geral, os ambientes devem ser seguros no sentido de não haver possibilidade de fuga, o que colocaria em risco a vida do animal.


4. Porte

Se você quer adotar um filhote de cão e gostaria de prever o tamanho que ele atingirá quando adulto, uma dica é observar as patas. Existem exceções, mas em geral patas grandes e desproporcionais indicam que será um cão de porte médio a grande. Ao adotar um cão com mais de 8 meses, não haverá esta dúvida, pois ele já estará atingindo seu tamanho de adulto.


5. Comportamento do indivíduo

Mais importante do que saber o tamanho que terá um cão quando adulto, é identificar seu perfil comportamental. Um cão de porte pequeno com alta necessidade de atividade física pode demandar um ambiente maior do que um animal de porte grande com baixa exigência de atividade física.


Além disso, é importante saber se o perfil comportamental do animal é compatível com o perfil do futuro dono – algumas ONGs fazem entrevistas com os tutores para indicar o animal mais apropriado para um relacionamento bem-sucedido.


6. Comportamento da espécie

Algumas características não dependem da personalidade do pet, mas são comuns à espécie. Cães devem tomar banho com frequência e precisarão ser educados para que entendam os locais corretos para fazer xixi e cocô, caso morem dentro de casa. Gatos, por sua vez, não precisam deste tipo de ensinamento e nem de banhos, mas precisam de arranhadores em pontos estratégicos da casa para não estragarem a mobília.


Uma das definições de bem-estar animal postula que, para haver bem-estar, são necessárias condições para que o animal expresse o repertório de comportamentos da espécie. Assim, uma ave deve ter condições para voar, um cão deve ter condições para farejar, um gato deve ter condições para caçar (ainda que brinquedos e não passarinhos de verdade), assim por diante.


Por isso, conhecer o comportamento natural da espécie em questão é muito importante para que o pet possa ter bem-estar e para que a família possa conviver em harmonia. Isso porque parte dos comportamentos indesejados dos pets são consequência de ambientes inadequados para acolher seus instintos, o que pode ser facilmente ajustado com a prática do enriquecimento ambiental. Estudar sites especializados e buscar orientação veterinária pode ajudar muito nesta etapa para adquirir conhecimento sobre a espécie. Por falar em veterinária...


Adotei! E agora?


Após adotar, é mandatória uma visita ao vet. O profissional irá avaliar o estado geral do pet, orientar, dar seguimento ao esquema vacinal (que em geral é iniciado no abrigo, mas deve seguir com reforços ao longo da vida) e tratar eventuais problemas.


Ao chegar em casa com o pet recém-adotado, inicia-se uma fase de adaptação para ele e para os humanos envolvidos. Os dois primeiros dias são tão importantes que algumas empresas concedem licença PETernidade para que este período possa ser vivido com carinho e atenção. Aproveite estes dias para observar o comportamento do peludo e conhecer mais sobre ele.


Outras formas de colaborar


Se após considerar todos os fatores relacionados com a adoção de um pet, você chegar à conclusão de que não está pronto para receber um novo membro na família, está tudo bem. Ainda existem outras formas de ajudar:


Sendo voluntário em um abrigo, levando os animais para passearem de vez em quando, já que passam a maior parte do tempo em baias de canil. Algumas pessoas temem se sentir mal, uma vez que gostariam de levar todos os cães para casa. Mas acredite, ao sair de um mutirão de passeio canino você se sentirá bem por ter levado alegria aos animais naquele dia!


Se cadastrando para oferecer lar temporário – este recurso é utilizado quando um animal é acolhido, mas o abrigo já está lotado, então ele fica na casa de alguém até que possa ser adotado ou que uma vaga seja liberada.


Apadrinhando um pet. Neste caso você escolhe um animal do abrigo e arca com seus custos, mesmo sem levá-lo para a sua casa. Se possível, você também pode visitá-lo, passear com ele e oferecer atenção quando sempre que puder.


Fazendo doações em dinheiro ou não. Ração, medicações, brinquedos, caminhas, tudo isso é necessário.


Nunca pense que o que está ao seu alcance é pouco! Para animais que vivem em extrema carência, toda ajuda e toda presença fará muita diferença!

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